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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Impacto da Doença de Parkinson na Qualidade de Vida e a Atuação do Terapeuta Ocupacional


A doença de Parkinson é uma enfermidade crônica de caráter progressivo que acomete um em cada mil indivíduos da população em geral e apresenta características que afetam a qualidade de vida dessas pessoas nos seguintes aspectos: físico, mental/emocional, social e econômico. Sua prevalência aumenta em pessoas com a idade avançada e geralmente acomete indivíduos acima dos 50 anos. Os sinais e sintomas clássicos resultantes da depleção de dopamina na substância negra e que apresentam maior relevância são:

  • bradicinesia,
  • tremor,
  • rigidez,
  • instabilidade postural,
  • distúrbios da marcha,
  • dor,
  • fadiga,
  • depressão,
  • distúrbios cognitivos e sexuais.

Com a evolução da doença surgirão complicações secundárias e estas poderão acarretar limitações nas Atividades de Vida Diária( AVD´s) tais como: vestir/despir, lavar, comer, tomar banho;dentro e fora de casa (limpeza da casa ou fazer compras); no trabalho ou nas horas de lazer.Além disso, a limitação social e a sobrecarga econômica são fatores que também afetam diretamente a qualidade de vida desses indivíduos.

É importante destacar a relação entre todos os aspectos citados, embora as dimensões física e mental/emocional pareçam ser as mais relevantes, uma vez que podem ser as responsáveis pelo desenvolvimento de outras limitações.



A INTERVENÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL JUNTO AO INDIVIDUO PORTADOR DA DOENÇA DE PARKINSON



O programa de tratamento que o Terapeuta Ocupacional desenvolverá para os indivíduos portadores da Doença de Parkinson , buscará minimizar as limitações decorrentes da progressão da doença e procurará contribuir para a melhora e a manutenção da qualidade de vida .

Como método de intervenção poderá:

  • Utilizar-se de técnicas adaptativas para a redução dos efeitos do tremor para

    aperfeiçoamento da função da mão,

  • auxiliar no desenvolvimento da destreza manual e coordenação manual explorarando novas possibilidades na execução das atividades favoritas e /ou hobbies,

  • se necessário for, recomendar equipamentos adaptativos e treinar o uso dos mesmos na realização das tarefas diárias( uma simples alteração nos seus utensílios(substituir botões e fechos por velcro, usar lençóis ou pijamas de cetim para ajudar o movimento, bancos na banheira, etc) , copos com duas asas, pentes e escovas longos, escova de dentes elétrica, ajuda a vestir e cadeiras e sanitários elevados para ajudara o sentar e a se levantar.

  • Um computador pessoal com software ativado pela voz pode evitar problemas com os teclados,

  • sugerir modificações na casa ,de forma a aumentar o acesso seguro e torná-lo o mais funcional possível ,para que o desempenho ocupacional ocorra em sua máxima totalidade, afim de proporcionar um elevado grau de autonomia (escadas, declínios e elevações de piso: instalar corrimões para o individuo se segurar, alterar degraus por rampas ou então um elevado).

A perda da capacidade ocupacional pode repercutir de forma negativa na saúde e no bem estar das pessoas e tornará-se agravante quando as perdas forem progressivas e permanentes. A condição de ''privação ocupacional'' passa a existir quando uma pessoa, por qualquer motivo seja ele por privação ou incapacitação física limitação psicossocial deixa de desempenhar o que é significativo para o individuo.

Com o estabelecimento da Doença de Parkinson ,a perda da rotina do dia a dia é significativamente mais marcante, devido ao seu cotidiano(do indivíduo) estruturado durante anos. Junto da perda de habilidade de desempenhar comportamentos ocupacionais desejáveis surgem os efeitos devastadores e que desencadeiam frustrações aborrecimentos.

No inicio da doença, a bradicinesia e a rigidez muscular impedirão na realização das atividades de vida diária como exemplo:

  • mobilidade funcional (deambulação; virar na cama),
  • nos auto cuidados como: banho, o vestir/despir, a higiene oral /intima, a alimentação ( uma refeição que poderia ser consumida em 20 minutos poderá demorar uma hora ou mais e as vezes o paciente por vergonha não a ingeri por inteiro).

De maneira geral o tempo para a realização das tarefas do cotidiano aumentará devido a lentidão e redução dos movimentos,ocorrendo a perda da independência.

Quando o paciente acometido encontra-se em fases produtivas de sua vida, as rotinas estabelecidas ficam difíceis de serem realizadas e mantidas, ocorre então uma desestruturação familiar, pela perda da identidade social como chefe de família e pai de família (no caso dos homens) como empregado(a) e/ou empregador(a). Muitas vezes a pessoas perdem o emprego ou deixam de exercer determinadas profissões como: mecânicos viajantes, pintores,etc.

Em nosso meio social existe a expectativa por parte dos indivíduos integrantes deste meio, de que cada qual desempenhe seu papel social ,seja através de comportamentos ou reações adequadas ;e para isso tornar a ser presente em um individuo acometido pela Doença de Parkinson, requer, tanto por parte dos familiares quanto do individuo em questão uma iniciativa de atitudes, tomada de decisões e sentimentos frente às novas condições de saúde pré estabelecidas.

''A INTERVENÇÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL JUNTO AO PACIENTE ACOMETIDO PELA DOENÇA DE PARKINSON AJUDA O A MANTER A MAXIMA FUNÇÃO NAS ROTINAS DO DIA A DIA E POSSIBILITA AO INDIVIUO UMA VIVENCIA SIGNIFICATIVA DE SUA VIDA, MANTENDO SUA AUTONOMIA O MAIOR ESPAÇO DE TEMPO POSSÍVEL.''



Referências Bibliográficas


  • Guttman M, Kish SJ, Furukawa Y. Current concepts in the diagnosis and management of Parkinson’s disease. CMAJ 2003;168(3): 293-301.
  • Gaudet P. Measuring the impact of Parkinson’s disease: an occupational therapy perspective. Can J Occup Ther 2002; 69(2): 104-113.
  • Schrag A, Jahanshahi M, Quinn N. What contributes to quality of life in patients with Parkinson’s disease. J Neurol Neurosurg Psychiatry 2000; 69: 308-312.
  • Kuopio AM, et al. The quality of life in Parkinson’s disease. Mov Disord 2000; 15(2): 216-223.

  • TURNER, A. Occupational for therapy.In:TURNER, A; FOSTER, M; JOHNSON, S. E. Occupational Therapy and Physical Dysfunction: principles, skills and practice. 5 ed. Londres: Churchill Livingstone,2002.


Um comentário:

  1. É muito bom saber que existem pessoas que como vocês Terapeutas Ocupacionais,podem proporcionar uma qualidade de vida para pessoas com esta doença!
    Tenho um familiar com Parkinson , mas não sabiamos como lidar com isso, esta leitura me ajudou muito e com toda a certeza iremos procurar uma terapeuta ocupacional.

    Claudia-Rondonia

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